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第1章 · O Nascimento do Guerreiro

O Nascimento do Guerreiro

Em 1967, um homem conseguiu emprego como porteiro num edifício. Nos primeiros meses, não gostava muito do trabalho e tinha a certeza de que não ficaria ali por muito tempo. Assim que surgisse outra oportunidade, iria embora. Contudo, o tempo passou, as oportunidades não vieram e ele permaneceu. Ano após ano, dedicou-se ao serviço até se tornar o porteiro-chefe do prédio. Dezoito anos se passaram. Em 1985, sua esposa descobriu que estava grávida pela terceira vez, muitos anos após o nascimento das primeiras filhas. — Como será ter outro filho agora? Começar tudo de novo... — questionava ela, apreensiva. — Vai dar tudo certo. Nós vamos conseguir ter e criar essa criança — confortava o marido. Os meses avançaram e a gravidez se desenvolvia. Certo dia, um dos moradores, o Senhor Raimundo, comentou com o porteiro: — Fiquei sabendo que a Dona Chiquinha acha que seria melhor vocês interromperem essa gravidez. O homem encarou o morador, visivelmente incomodado com a intromissão: — Pois então diga à Dona Chiquinha para não se preocupar, pois eu vou conseguir criar o meu filho. Enquanto alguns criticavam, outros moradores do prédio demonstravam carinho e parabenizavam o casal pela nova vida que estava a caminho. Em 1986, ao atingir os nove meses de gestação, a esposa começou a sentir-se mal: — É melhor irmos ao hospital. Acho que está chegando a hora. Ao chegarem à maternidade, ela foi prontamente atendida. Como o casal não pretendia ter mais filhos, o parto seria uma cesariana com laqueadura. À tarde, deitada no leito, ela aguardava o momento da cirurgia com o coração acelerado. — Eu estou nervosa... Já passei por isso duas vezes, mas agora é diferente porque vai ser uma cesárea. — Fique calma, vai dar tudo certo. Deus está conosco — tranquilizou o marido, segurando sua mão. Momentos depois, duas enfermeiras entraram no quarto para prepará-la. Na sala de cirurgia, o médico iniciou o procedimento. Pouco tempo depois, o choro ecoou pelo ambiente: nascia um menino saudável, com 49 centímetros e 3,2 quilos. O pai desejava um nome bíblico, mas que não fosse tão comum na época. — Qual nome escolher? Daniel? Lucas? João? Não... Muito comum. Ah, já sei! Está resolvido. Após refletir, o menino foi registrado como Gabriel. A mãe transbordava de alegria. Depois de duas filhas, finalmente segurava um menino nos braços. Quando o marido entrou no quarto para visitar a esposa e conhecer o recém-nascido, Levou um susto: o bebê estava rolando na cama, quase caindo, e tinha as costas cobertas por uma fina camada de pelos escuros. — Será que "isso" vai sobreviver? — pensou o pai, rindo do susto inicial. Receberam alta e foram para casa. Gabriel era um bebê extremamente calmo. Não chorava à noite e deixava os pais descansarem. — É incrível como ele não chora, não nos acorda e dorme tranquilo — comentava o pai. — Sim, ele é um anjinho. Fica quietinho no berço — concordava a mãe. Ao completar cerca de um mês de vida, seu pai o levou à igreja para ser apresentado a Deus. Como era costume nessas ocasiões, o pastor fez uma oração pela criança, pedindo que Deus a abençoasse, que fosse uma bênção para os pais, que pudesse ser usada por Ele e permanecesse em Seus caminhos. — Senhor, te apresentamos hoje o Gabriel. Que ele possa ser bênção para os seus pais, seja usado por Ti e ande sempre nos Teus caminhos. Em nome de Jesus, amém! O tempo passou e o menino cresceu. Gabriel aprendeu a andar sem sequer engatinhar; como a casa era pequena e os móveis ficavam próximos, ele se apoiava em tudo para se manter em pé. — Olha só! Ele se apoia nos móveis e consegue andar sem precisar engatinhar! — dizia a mãe, orgulhosa. — Ele é muito esperto. Percebeu o espaço e está usando os móveis para se firmar. Se andar foi fácil, a fala revelou-se um desafio. Gabriel demorava muito para pronunciar as primeiras palavras. Preocupada, a mãe o levou ao médico, que a tranquilizou: — É normal. Cada criança tem o seu tempo e logo ele falará. Vizinhos e conhecidos davam palpites, até que alguém sugeriu uma antiga simpatia popular: — Dê a ele água da chuva que ele vai começar a falar muito em breve! Sem saber mais o que tentar, a mãe recolheu água da chuva e deu para o menino beber. Curiosamente ou por mera coincidência, o método funcionou: Gabriel passou a falar sem parar. — Eu falei que era tiro e queda! Agora ele está compensando todo o tempo em quenão falou — brincou a pessoa. — Parece que funcionou mesmo! Estou tão feliz que meu filho agora está falando — comemorou a mãe. Gabriel tinha um apego profundo à irmã mais velha. Conviveram diariamente durante seus primeiros três anos de vida, até o dia em que ela se casou. Pouco antes da cerimônia, a irmã o chamou para tirar fotos no playground do prédio onde morariam: — Vem, Gabriel! Vamos tirar uma foto. Segure a minha mão aqui e a dele ali. Fique aqui no meio. Gabriel posicionou-se entre o casal e os registros foram feitos. O casamento aconteceu e a irmã mudou-se, deixando um vazio enorme no garoto. Como ela trabalhava perto da antiga casa, sempre que podia passava para visitar a família. O problema era a despedida: toda vez que Gabriel percebia que ela estava prestes a ir embora, desabava num choro intenso. Certo dia, a irmã trouxe um pacote de biscoitos recheados com carinhas impressas neles. Ao abrir a embalagem, em vez de se alegrar, o menino começou a chorar com medo dos rostos estampados. O mesmo pavor acontecia quando escutava a clássica cantiga de ninar "Nana neném que a Cuca vem pegar". Ninguém entendia o motivo daquela angústia. Aos poucos, veio a creche e as primeiras interações com o mundo fora de casa. Em um dia específico, a turma assistia a uma apresentação de palhaços. Em determinado momento, um dos artistas fingiu tropeçar e caiu no chão. Todas as crianças gargalharam com a trapalhada — exceto Gabriel. O menino começou a chorar desesperadamente, obrigando a professora a intervir: — O que aconteceu, Gabriel? Por que você está chorando? — Ele caiu... Ele se machucou! Buááá! — Não precisa se preocupar, meu amor! O moço está bem, olha só ele de pé de novo! — Mas ele caiu! Ele se machucou! — Fazia parte da apresentação, Gabriel. Ele não caiu de verdade, está bem! — Tia... Mas ele caiu! O sofrimento do garoto foi tão genuíno que a escola precisou chamar a mãe para acalmá-lo. Outra memória marcante ocorreu enquanto ele andava com sua bicicleta de rodinhas pela galeria do prédio. Uma das rodinhas quebrou e, infelizmente, a bicicleta foi descartada sem que outra jamais a substituísse. O garoto ia crescendo e acumulando memórias. Aos cinco anos, chegou a hora de ingressar oficialmente na escola. Aquele pequeno universo composto pela família, pelo prédio e pela creche começaria a se expandir rapidamente. E nem tudo o que Gabriel encontraria pela frente seria fácil de compreender.

第1章の終わり

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